domingo, 13 de maio de 2012

O Cinema Não Passa Sem Mães



As mães estão por toda a parte e são presenças perenes e indestrutíveis. Em "E.T." (1981), de Steven Spielberg, há um pai ausente, mas tem também uma mãe ativa (Dee Wallace) que controla toda a família.
Amor de mãe é assim: não respeita barreiras como cor, raça, doenças... Mãe de cinema que se preze é capaz de enfrentar a fome, o frio, a guerra, os soldados invasores, pelo amor da filha (Sophia Loren em "Duas Mulheres", 1961), curar filho autista como em "Meu Filho, Meu Mundo", 1979), superar uma relação tumultuada com a filha e estar ao lado dela no momento mais terrível de suas vidas (Shirley MacLaine, em "Laços de Ternura", 1983), não perder a esperança para manter a família unida durante uma tragédia nuclear (Jane Alexander, em "Herança Nuclear", 1983), tornar tolerável conviver com uma doença deformante (Cher, em "Marcas do Destino", 1985), usar todos os argumentos possíveis numa luta incansável e cruel para convencer a filha em não cometer o suicídio (Anne Bancroft, em "Noite do Desamor", 1989), fugir do inferno maometano com a filha pequena (Sally Field, em "Nunca Sem Minha Filha", 1991), ganhar o ódio de toda a comunidade científica ao pesquisar por conta própria um óleo miraculoso capaz de salvar a vida do filho e ajudar outros (Susan Sarandon, em "O Óleo de Lorenzo", 1992), renunciar com força e dignidade invejáveis, a grande chance de ser feliz ao lado do homem que realmente ama, por amor aos filhos (Meryl Streep, em "As Pontes de Madison", 1995), enfrenta o incomum e os fantasmas do passado em memória do filho morto, numa das viagens mais surpeendentes e inesquecíveis do cinema (Cecília Roth, em "Tudo Sobre Minha Mãe", 1999), não se importa com o ridículo para realizar o grande sonho da filha (Toni Collette no engraçado, absurdo e profundo "Pequena Miss Sunshine", 2006), não medir esforços para ajudar o filho postiço a ser um grande campeão do esporte (Sandra Bullock, como a socialite desocupada que tem seu instinto materno despertado em "Um Sonho Possível", 2009).

Assim como na vida real, as mães do cinema também tem seus defeitos, sendo culpadas pelos traumas dos filhos. Em "Shirley Valentine", 1989, Pauline Collins é uma dona de casa que sufocada pelo marido e pelos filhos egoístas, larga tudo e vai para a Grécia. Pior: gosta tanto da ideia que pensa em não voltar mais. Em "Lembranças de Hollywood", 1991, Shirley MacLaine faz uma estrela de cinema que envolvida demais com seus problemas não presta atenção na filha viciada em drogas. Na comédia "Esqueceram de Mim I e II", Catherine O'Hara faz uma mãe dispersa e corroída pelo remorso de ter esquecido o filho durante o natal. Num caso mais extremo de imperfeição materna temos a mãe opressora, monstruosa e violenta de "Preciosa", 2009, uma atuação impagável e oscarizada de Mo'Nique.


O cinema italiano conhecido por sua grande expressividade também foi capaz de fazer retratos inesquecíveis de mães como em "Belíssima", 1951, onde Anna Magnani é a mãe que deseja que a filha seja atriz, Sophia Loren, a mãe que está sempre engravidando para escapar da cadeia em "Ontem, Hoje e Amanhã", 1963, e depois Laura Morante, a mãe enlutada de "O Quarto do Filho", 2001.

Corajosas e egoístas, amorosas ou detestáveis, as mães do cinema são capazes de tudo. Atrapalharam ou ajudaram. Eram presentes ou ausentes. Mas sem mães o cinema não pode passar. É a arte imitando a vida!

Nenhum comentário:

Postar um comentário