terça-feira, 22 de junho de 2010

Bird


Clint Eastwood escolheu um projeto ambicioso para filmar: biografar o genial saxofonista Charlie Parker, o Bird.


Embora contida, a narrativa dá o tom exato da tragédia pessoal de ''Bird'', que morreu devido ao excesso de álcool e drogas aos 34 anos. Forest Whitaker está perfeito como Parker, em sua entrega absoluta à música, sua loucura e seus dramas familiares.


Esnobado nos Estados Unidos e ovacionado na Europa - sagrou - se vencedor de dois prêmios em Cannes (Melhor Diretor para Clint - que aqui nada lembra seus tempos de coubói - e Ator para Whitaker) - é um filme que merece ser apreciado não apenas por suas qualidades cinematográficas mas também pela música ainda perene de Charlie Parker - o ''Bird''.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quando Cannes se rendeu a Meryl


Atriz esbanja classe em ''Um grito no escuro''Saiu há algum tempo em dvd pela Playarte, mas vale a pena comentar.
Uma dica: é melhor assistir ao filme em versão original (em inglês) para apreciar as densidades e sutilezas da interpretação de Meryl Streep. Ela deveria ser candidata eterna ao Oscar de melhor sotaque. Meryl adora criar sotaques para as personagens que interpreta. A heroína de Um grito no escuro é Australiana. É o que basta para Meryl caprichar no sotaque. Caprichou tanto que ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes -89.
Ela interpreta Lindy Chamberlain, acusada de matar a própria filha em 1982. Lindy e o marido saíram com a criança para um piquenique. O bebê desapareceu. Só em 1987 surgiram provas de que Lindy poderia ser inocente. O filme do diretor Fred Schepisi aborda aquele que foi um dos maiores erros da história da justiça australiana. Lindy foi condenada porque parecia culpada. Seu crime foi permanecer impassível no tribunal. Religiosa, Lindy confiava na justiça divina e aceitou o trágico destino da filha. Sua frieza foi considerada inadequada na era da televisão, quando as pessoas lavam roupa suja em público e os sentimentos mais íntimos são exibidos em horário nobre em troca de 15 minutos de fama.
Meryl é um caso à parte. É o que realmente faz a diferença no filme. Desde o sotaque cuidadoso neozelandês, os modos severos, a aparência caipira, a total falta de sentimentalismo, tudo nela leva à compreensão dos motivos pelos quais Lindy, sem querer, despertou tanto ódio nas mães do país. A tragédia não terminou quando Lindy foi solta. Muitas pessoas continuaram não acreditando em sua inocência. Ela era insultada e agredida nas ruas. O caso foi levado para a Suprema Corte de Apelação da Austrália. Três juízes admitiram o erro da justiça que Schepisi denuncia.